
"Vaso Gordo" - cerâmica colorida com
engobe e esmaltada, 1982. Este é um dos meus primeiros vasos e um dos raros esmaltados. Reparem como ele lembra aquelas figuras femininas primitivas, as "
Vênus Esteatopígias", produzidas pelos artistas que viviam em cavernas. Contudo, quando fiz esta peça não tinha esta
intenção.

Conjunto de "Vasos-Garrafa". Cerâmica colorida com
engobe, 2005. A inspiração para a pintura destes vasos vem da arte africana.

"Conjunto de "Bonecas Cabeça-de-Pastel". Cerâmica colorida com
engobe, anos 90.
Comecei a fazer este tipo de boneca em 1988, quando buscava uma versão
própria para as "
Vênus" primitivas. Estas bonecas são muito simpáticas e versáteis.

"Escultura- Máscara". Escultura em cerâmica com aplicação de
patina, 2005. Esta escultura é de um grupo peças inspiradas nas mais diversas fontes, especialmente na arte africana.

"Afrodite". Escultura em cerâmica sobre base de madeira, 2001/2. Outra versão pessoal para o tema das "
Vênus" primitivas.
Sabe-se que a cerâmica é uma das mais antigas formas de arte entre as que produzimos até hoje. Suas origens se perdem num passado muito distante, quando ainda morávamos em cavernas e dávamos os primeiros passos rumo à civilização.
Pensar que faço parte desta linhagem de criadores, que descobriu como tornar um punhado de argila em uma peça utilitária ou numa estatueta da deusa da fertilidade, mexe com minha imaginação. Sinto-me ligado a este mundo tão incrivelmente distante e rústico, no qual fazíamos parte da Natureza de uma forma muito mais
direta e profunda.
Não importa que meu forno seja
elétrico, que meu barro, tintas e instrumentos sejam beneficiados industrialmente - eu sou um ceramista como aqueles primeiros, que mesmo sem ter qualquer noção do que viria a ser chamado de arte, a produziam através de seus vasos brutos, suas esculturas rudimentares, suas gamelas e urnas funerárias.
É
exatamente este o aspecto da cerâmica que mais me atrai, o seu lado mais simples e rudimentar. Como todos poderão ver nas fotos postadas, meus vasos, máscaras e esculturas não primam pelos acabamentos sofisticados, esmaltes brilhantes, torneamentos impecáveis. Muito pelo contrário, são peças assimétricas, pintadas com argilas pigmentadas, exibindo desenhos e
esgrafitos primitivos, texturas arenosas e rudes.
Através delas mergulho neste mundo primitivo, no qual busco minha inspiração, trazendo à tona os vestígios de um mundo perdido. Espero com isso tocar o sentimento e a imaginação de vocês, despertando-os para uma arte de inúmeras facetas, cujos cacos, por menores que sejam, são capazes de contar a história de uma civilização.
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Comecei a produzir cerâmica a partir de 1981, quando era aluno do Curso de Pintura da Escola de Belas Artes da
UFRJ. Lá, inicialmente como aluno e depois como monitor da Oficina de Cerâmica, dei meus primeiros passos nesta arte (para conhecer minha história como artista plástico e minha relação com a
EBA, visitem meu outro blog:
http://ricardarte.blogspot.com/). Posteriormente, já formado e trabalhando com outros ceramistas fui aprimorando minha técnica e minha linguagem plástica, adicionando à cerâmica as minhas outras experiências
artísticas no campo da pintura e da
xilogravura (ver link mencionado). Hoje em dia continuo produzindo nos três campos, dividindo meu tempo entre estas formas de arte mas sempre procurando manter uma unidade entre elas. No campo da cerâmica também iniciei uma nova linha de trabalhos - os vasos para
bonsai que podem ser vistos no blog:
http://rpceramica-bonsai.blogspot.com/Para ilustrar, seguem cinco imagens do meu trabalho como ceramista, feitos em épocas diversas: